Sabia que você tinha medo de perder sua casa.
Sabia que dinheiro significava segurança para você.
E não a julguei por isso.”
Parei de ler.
Victoria me observava.
Continuei.
“Mas existe uma coisa que você talvez nunca tenha percebido.
Antes de pedir você em casamento, procurei saber quem você era quando ninguém estava olhando.
Descobri que você ajudava sua vizinha idosa com as compras.
Descobri que você doava parte do pouco que tinha para um abrigo local.
Descobri que, quando uma colega perdeu o emprego, você dividiu seu próprio salário com ela.
Você precisava de dinheiro.
Mas não era definida por ele.”
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Andrew se mexeu na cadeira.
Victoria cruzou os braços.
Eu continuei lendo.
“Por isso, se meus filhos tentarem dizer que você recebeu minha fortuna porque me enganou, lembre-se de uma coisa:
Eu fiz minhas escolhas sabendo exatamente quem você era.”
A carta terminava com uma frase:
**“Agora abra a segunda gaveta do meu antigo escritório.”**
Olhei para o advogado.
Ele assentiu.
A chave estava dentro da caixa.
—
Fomos até o antigo escritório de Russell.
Victoria e Andrew vieram atrás de mim.
O escritório permanecia exatamente como ele havia deixado.
Livros.
Fotografias.
Documentos.
O grande relógio na parede.
Caminhei até a escrivaninha.
A chave abriu uma pequena gaveta escondida.
Dentro havia uma pasta.
O advogado a retirou.
— Russell pediu que eu entregasse isso somente depois que você lesse a carta.
Abri.
E fiquei completamente imóvel.
Não havia uma fortuna inteira.
Havia documentos de uma fundação.
Russell havia transferido uma parte considerável de seus bens para uma organização destinada a financiar bolsas de estudo, abrigos e programas de apoio a mulheres endividadas.
Meu nome estava nos documentos.